Você está preparado para ficar velho?

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Ficar velho, apesar de ser o destino natural de todos, é um assunto quase proibido, visto como algo pesado, tanto para quem já chegou lá quanto para quem tem algum idoso para cuidar, situação muito cada vez mais comum no contexto das famílias atuais. Fato é que ainda não se tornou um hábito planejar a velhice enquanto se é jovem, para passar por essa etapa da vida de forma saudável, ativa, independente e equilibrada.

De acordo com o psicólogo da Jequitibá Residência Assistida, Gustavo Souza, esse seria o comportamento indicado, mas, em sua experiência de 10 anos lidando com idosos, ele percebe que a maioria não esperava chegar à idade que tem e não planejou o futuro. “Pensar na velhice e na morte quando se é novo não é corriqueiro, mas não precisa ser negativo. Ao mudar essa cultura, trabalhando-a do ponto de vista positivo, diminuímos as chances de sermos idosos passivos, para sermos protagonistas também na velhice”, orienta.

Mas, afinal, na prática, como se faz o planejamento da velhice? O psicólogo explica que o primeiro passo é pensar em quanto se deseja e se pode viver, levando em conta a expectativa de vida da população e características pessoais e familiares. “Quando se tem um norte, prepara-se para chegar lá. Se penso em viver 95 anos, tenho que entender que uma boa parte da vida será desfrutada como idoso. Planejar esse período vai além da questão profissional, econômica e financeira, envolve outras dimensões da vida, tais como: saúde, relacionamentos, espiritualidade, social”, explica.

Aspecto profissional e econômico
A vida produtiva não é a única vida que se tem, por isso é preciso se preparar para parar de produzir no sentido formal (econômico). Quando se é idoso, a produtividade é reduzida, até chegar ao encerramento da carreira. Segundo Gustavo isso não significa que o indivíduo se tornará inútil. Pelo contrário, ele poderá desenvolver habilidades ou resgatar antigas práticas, mantendo-se ativo. Nesse aspecto, muitos optam por trabalhos voluntários, alguns dão palestras, integram-se a uma entidade filantrópica, etc. É possível pensar desde jovem o que poderá estar ao seu alcance de executar quando mais velho, redefinindo assim o sentido de utilidade, ou seja, de se ser útil.

Aspecto financeiro
Poupar quando jovem para usufruir na velhice é um comportamento prudente. Em geral, Gustavo lembra, que após a aposentadoria, a renda é reduzida, pois não se recebem mais benefícios, e os custos de vida aumentam significativamente. É preciso ter uma reserva de recursos para essa conta fechar. Se isso for feito desde o início da carreira, mais fácil será ter um montante que garanta mais segurança.

Aspecto da saúde
O psicólogo recorda-se de idosos com diversos tipos de doenças, como diabetes e pressão alta, que tiveram quando jovens histórias marcadas por muitos excessos, seja por abuso de álcool, tabaco ou até mesmo por uma alimentação desregrada, longe de exercícios físicos e acompanhamentos médicos. Ou seja, uma velhice saudável se constrói na infância, na juventude e quando adulto, e não ao se tornar idoso. Portanto, quem quer ser ativo e saudável mais tarde precisa ter bons hábitos cedo, além de fazer checkups médicos anuais.

Aspecto social e de relacionamentos
Outro ponto fundamental é que os relacionamentos que se manterão até o final da vida, em geral, são estabelecidos quando se é jovem. Gustavo já atendeu idosos que tinham grandes dificuldades de aceitar os cuidados necessários, porque, quando mais novos, tiveram relacionamentos superficiais com os familiares. Estabelecer laços efetivos de confiança com cônjuges, filhos e amigos quando jovem tem reflexos também na idade avançada.

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