Depressão em idosos: é preciso atenção aos primeiros sinais

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Envelhecer é um processo natural, que gera mudanças físicas, psicológicas e sociais. Trata-se de uma etapa da vida em que a pessoa idosa percebe que alcançou metas, sofreu perdas, se sente desigual e questiona a própria existência, o que pode afetar diretamente o lado emocional e favorecer o surgimento da doença do século: a depressão. É nesse contexto que entra em cena os familiares, cuidadores e médicos, que precisam redobrar a atenção aos primeiros sinais, atuando como protagonistas na detecção precoce. Segundo o psicólogo Gustavo Souza, da Jequitibá Residência Assistida, a doença pode aparecer em forma de tristeza, apatia, desânimo, isolamento, ou por meio de outros sintomas físicos e psicológicos. Confira as dúvidas mais comuns sobre o assunto na entrevista abaixo:

1- Por que a depressão é uma doença comum entre idosos?
Existe uma escalada da depressão geriátrica no mundo todo e uma das hipóteses está relacionada ao aumento da expectativa de vida, ao momento da aposentadoria e ao término da vida laboral. Quando a pessoa idosa perde o sentido de ser útil, muitas vezes fica sem espaço, sem lugar e se perguntando: “O que eu sou?”, “O que eu faço agora?” Feito isso, a tendência a voltar ao passado é muito grande. Isso acontece por que a perspectiva de futuro para o idoso é muito pequena, não só pela questão cronológica, mas pelo lado psicológico. O idoso preso ao passado não consegue vislumbrar perspectivas de futuro; ele perdeu a identidade e já não tem um lugar produtivo, tão cobrado em uma sociedade capitalista. Diante do “não lugar”, começa a questionar a própria existência, e a dor a partir desse questionamento é forte. A depressão se caracteriza pela dificuldade em manter contato com os próprios sentimentos, é como se a pessoa estivesse anestesiada. Muitas vezes porque as experiências que se teve no passado foram tão pesadas que prefere não senti-las. Vivenciando essa angústia, começa a perder o contato com ele mesmo, dando espaço para se instalar o processo depressivo.

2- Todo idoso pode ter depressão? Há aqueles mais propensos à doença?
Depende da história de vida e do acometimento que ele pode apresentar. Mas, se a pessoa se prepara para envelhecer, e se não tiver nenhum comprometimento significativo da parte cognitiva, não necessariamente terá depressão. Por outro lado, idosos com comprometimento cognitivo podem ser mais propensos ao desenvolvimento da doença, bem como aqueles menos ativos, que não fizeram vínculos positivos ao longo da vida, os que não vivenciaram realizações que lhes sejam significativas, os que já trazem um histórico de depressão ou que possuem um comportamento mais pessimista.

3- Quais são os sintomas iniciais? Como perceber?
O sentimento que prevalece é a tristeza. Existem casos em que a pessoa começa a não querer mais contatos, prefere ficar isolada em casa. E, na maioria das vezes, não consegue explicar o que está sentindo. É quando entra em cena os familiares e cuidadores, pessoas que estão geralmente mais próximas ao idoso. Eles precisam ficar atentos a qualquer alteração, desde uma leve tristeza, apatia ou um desânimo e vontade de ficar isolado, até ao aparecimento de outros sintomas físicos e psicológicos. Percebendo alguns desses sinais, é preciso buscar ajuda. Geralmente, é irrelevante dizer ao idoso que ele precisa reagir. É fundamental buscar uma avaliação profissional, preferencialmente de um geriatra, que tem mecanismos para avaliar e traçar um tratamento para o idoso juntamente com a família.

4- E como se dá o tratamento?
Geralmente, é medicamentoso aliado à psicoterapia. É importante não abrir mão de uma terapia ocupacional, que vai trazer uma ressignificação na questão da utilidade do idoso, além de tentar resgatar nele, de maneira sutil, pequenos prazeres, como visitar um neto e levá-lo em um restaurante que ele gostava, desenvolver alguma atividade artística, colaborar em algum afazer familiar etc. Na Jequitibá, por exemplo, desenvolvemos atividades orientadas, tais como terapia ocupacional, yoga e musicoterapia tanto para os hóspedes fixos como para os que ficam parte do dia. Comprovadamente elas não só auxiliam no tratamento da depressão, como previne a instalação do quadro.

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