No Brasil, a violência contra pessoas idosas ainda é uma realidade dura – e muitas vezes invisível. Só em 2024, o Disque 100 registrou mais de 179 mil denúncias de violência contra idosos, o que representa uma média alarmante de 491 denúncias por dia. E sabemos: esses números são apenas a ponta do iceberg.
Grande parte das agressões não são gritadas. Elas acontecem no silêncio de casa, no olhar impaciente, no descaso disfarçado de cuidado, na solidão forçada. A violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis – mas sempre deixa feridas.
Neste mês de junho, em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa (15/06), é fundamental refletirmos: estamos realmente cuidando das pessoas idosas com respeito, atenção e dignidade?
O que é violência contra a pessoa idosa?
A violência contra a pessoa idosa é qualquer ação ou omissão que cause dano físico, emocional, financeiro ou que atente contra seus direitos e dignidade. Pode acontecer dentro da própria família, em instituições, ou em ambientes públicos – muitas vezes, sem que ninguém perceba.
A forma mais conhecida é a violência física, mas ela está longe de ser a única. Veja outros tipos de violência que, infelizmente, são comuns e muitas vezes naturalizados:
- Violência psicológica: humilhações, ameaças, gritos, ofensas e qualquer atitude que gere medo, tristeza ou constrangimento.
- Abandono: deixar de oferecer cuidados essenciais ou isolar a pessoa idosa emocional e socialmente.
- Violência financeira: controlar indevidamente os bens, a aposentadoria ou pensão do idoso sem consentimento.
- Negligência: omitir cuidados básicos como higiene, alimentação, medicação ou segurança.
- Violência institucional: desrespeito em serviços de saúde, assistência ou outras instituições onde a pessoa idosa deveria ser acolhida.
- Violência simbólica e social: atitudes sutis, mas frequentes, como tratar o idoso como uma criança, ignorar suas decisões ou excluí-lo das conversas.
Violências que não deixam roxos, mas deixam marcas profundas
A impaciência com quem anda mais devagar. O olhar que infantiliza. A voz que se sobrepõe à vontade da pessoa idosa. A solidão forçada em uma casa cheia. O desrespeito às escolhas de quem tem uma vida inteira de experiências.
Essas também são formas de violência.
Silenciosas. Repetidas. Socialmente ignoradas.
Como podemos combater esse ciclo?
O combate à violência contra a pessoa idosa começa com consciência e atitude. Aqui estão algumas ações que todos nós podemos adotar:
- Respeitar a autonomia da pessoa idosa.
- Incluir o idoso nas decisões sobre sua própria vida.
- Ouvir com paciência e presença.
- Valorizar sua história, suas opiniões, seu tempo.
- Denunciar qualquer tipo de abuso, por mais sutil que pareça.
Se presenciar ou suspeitar de violência, denuncie.
📞 Disque 100 – a ligação é gratuita e pode ser anônima.
O canal funciona 24h, todos os dias, inclusive feriados.
Denunciar é um ato de cuidado. É proteger um direito que é de todos nós: o direito de envelhecer com dignidade, segurança e afeto.
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