Audição e visão na velhice: mudanças naturais que merecem atenção e acolhimento

976 Views

Envelhecer é um processo natural da vida, e com ele vêm transformações físicas, emocionais e sensoriais. Entre as mudanças mais comuns estão as alterações na visão e na audição, sentidos que impactam diretamente a autonomia, a segurança e a qualidade de vida da pessoa idosa. Mas o que muita gente ainda não sabe é que essas perdas sensoriais podem também estar associadas a um risco aumentado de desenvolver demência.

O que a ciência revela

De acordo com um relatório publicado por uma comissão internacional dedicada à prevenção da demência, adultos com mais de 65 anos que apresentam perda de visão têm um risco quase 50% maior de desenvolver demência. E há um dado ainda mais importante: quando os problemas de visão são corrigidos, como no caso da cirurgia de catarata, o risco cai drasticamente, chegando a uma redução de 30% no risco de demência em comparação a quem não trata a condição.

O mesmo vale para a audição. Estima-se que 63% dos adultos com mais de 70 anos tenham algum grau de perda auditiva clinicamente significativa. E essa perda não corrigida pode aumentar em até 37% o risco de desenvolver demência. Quanto mais grave for a perda auditiva, maior será o risco.

Os pesquisadores explicam que o esforço extra que o cérebro faz para compensar a visão embaçada ou os sons distorcidos reduz os recursos disponíveis para a memória e o raciocínio. Isso pode acelerar os sintomas de demência, especialmente em quem já está nos estágios iniciais da condição.

Por que isso é importante?

Com o aumento da expectativa de vida, é essencial olharmos para o envelhecimento com responsabilidade e cuidado. Entender que a perda auditiva e visual não é apenas “coisa da idade”, mas um fator de risco para complicações mais sérias, muda a forma como devemos agir.

Isso significa que, além de respeitar e acolher essas mudanças sensoriais, é preciso agir preventivamente:

  • Realizar consultas periódicas com oftalmologistas e otorrinolaringologistas.
  • Corrigir déficits com o uso de óculos, aparelhos auditivos ou cirurgias, quando indicado.
  • Criar ambientes mais acessíveis e iluminados.
  • Estimular a comunicação e a participação ativa da pessoa idosa em decisões sobre a própria vida.
Acolhimento, cuidado e prevenção

Na prática, oferecer esse cuidado é também promover dignidade e inclusão. Muitas vezes, idosos com perdas sensoriais começam a se isolar por vergonha ou dificuldade de interação, o que agrava o risco de depressão e declínio cognitivo. Criar espaços acolhedores, com escuta ativa e estímulos adequados, é uma forma de dizer: “você ainda pertence, e sua presença importa”.

Mais do que tratar a visão ou a audição, é sobre preservar a conexão da pessoa idosa com o mundo ao redor, e com ela mesma.

Curtiu este artigo? Deixe seu like.
Curtir: 255 Curtidas