Envelhecer é um processo natural da vida, e com ele vêm transformações físicas, emocionais e sensoriais. Entre as mudanças mais comuns estão as alterações na visão e na audição, sentidos que impactam diretamente a autonomia, a segurança e a qualidade de vida da pessoa idosa. Mas o que muita gente ainda não sabe é que essas perdas sensoriais podem também estar associadas a um risco aumentado de desenvolver demência.
O que a ciência revela
De acordo com um relatório publicado por uma comissão internacional dedicada à prevenção da demência, adultos com mais de 65 anos que apresentam perda de visão têm um risco quase 50% maior de desenvolver demência. E há um dado ainda mais importante: quando os problemas de visão são corrigidos, como no caso da cirurgia de catarata, o risco cai drasticamente, chegando a uma redução de 30% no risco de demência em comparação a quem não trata a condição.
O mesmo vale para a audição. Estima-se que 63% dos adultos com mais de 70 anos tenham algum grau de perda auditiva clinicamente significativa. E essa perda não corrigida pode aumentar em até 37% o risco de desenvolver demência. Quanto mais grave for a perda auditiva, maior será o risco.
Os pesquisadores explicam que o esforço extra que o cérebro faz para compensar a visão embaçada ou os sons distorcidos reduz os recursos disponíveis para a memória e o raciocínio. Isso pode acelerar os sintomas de demência, especialmente em quem já está nos estágios iniciais da condição.
Por que isso é importante?
Com o aumento da expectativa de vida, é essencial olharmos para o envelhecimento com responsabilidade e cuidado. Entender que a perda auditiva e visual não é apenas “coisa da idade”, mas um fator de risco para complicações mais sérias, muda a forma como devemos agir.
Isso significa que, além de respeitar e acolher essas mudanças sensoriais, é preciso agir preventivamente:
- Realizar consultas periódicas com oftalmologistas e otorrinolaringologistas.
- Corrigir déficits com o uso de óculos, aparelhos auditivos ou cirurgias, quando indicado.
- Criar ambientes mais acessíveis e iluminados.
- Estimular a comunicação e a participação ativa da pessoa idosa em decisões sobre a própria vida.
Acolhimento, cuidado e prevenção
Na prática, oferecer esse cuidado é também promover dignidade e inclusão. Muitas vezes, idosos com perdas sensoriais começam a se isolar por vergonha ou dificuldade de interação, o que agrava o risco de depressão e declínio cognitivo. Criar espaços acolhedores, com escuta ativa e estímulos adequados, é uma forma de dizer: “você ainda pertence, e sua presença importa”.
Mais do que tratar a visão ou a audição, é sobre preservar a conexão da pessoa idosa com o mundo ao redor, e com ela mesma.
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